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Projeto arquitetônico, estrutural, elétrico e hidráulico compatibilizados (com BIM)

7 de out.
6 min de leitura

Fonte: https://gandyandroberts.com.au
Fonte: https://gandyandroberts.com.au

Muita gente inicia um empreendimento contratando apenas o projeto arquitetônico e deixa as demais disciplinas para depois. O problema costuma aparecer durante a obra: uma viga que interfere no pé-direito, uma tubulação que passa onde não deveria, um quadro elétrico sem espaço adequado ou uma instalação que exige alterar algo que já foi executado.


Um bom projeto reúne diferentes disciplinas que precisam conversar entre si. E, com o uso do BIM (Building Information Modeling), essa integração pode acontecer de forma ainda mais eficiente, permitindo analisar arquitetura, estrutura e instalações em conjunto antes do início da execução.


Neste artigo explicamos o que cada projeto faz, quais normas orientam essas disciplinas e por que a compatibilização é uma das etapas mais importantes para reduzir erros, retrabalhos e custos durante a obra.


As disciplinas de um projeto


Um projeto completo pode reunir diversas disciplinas, de acordo com o tipo, porte e complexidade da edificação.

Entre as principais estão:

  • Projeto arquitetônico: define a organização dos ambientes, circulações, fachadas, acessos, dimensões, iluminação natural e demais características da edificação, além da documentação necessária para aprovação nos órgãos competentes.

  • Projeto estrutural: dimensiona fundações, pilares, vigas, lajes e demais elementos responsáveis pela estabilidade e segurança da estrutura. Para estruturas de concreto, uma das principais referências é a ABNT NBR 6118 e ABNT NBR 6122.

  • Projeto elétrico: organiza pontos elétricos, circuitos, quadros, cargas, dispositivos de proteção e distribuição da instalação. Para instalações elétricas de baixa tensão, uma das principais referências é a ABNT NBR 5410.

  • Projeto hidrossanitário: define sistemas de água fria e quente, reservatórios, alimentação de aparelhos, esgoto sanitário, ventilação e demais instalações hidráulicas. Entre as principais referências estão a ABNT NBR 5626 e a ABNT NBR 8160.

Dependendo do empreendimento, ainda podem existir projetos complementares de prevenção contra incêndio, climatização, drenagem, gás, telecomunicações, impermeabilização, contenções, entre outros.

Na Allatos, oferecemos projetos arquitetônicos, de interiores e de engenharia — estrutural, elétrico e hidrossanitário — facilitando a integração entre as diferentes disciplinas desde as primeiras etapas do projeto.


O que é compatibilizar projetos


Compatibilizar significa analisar os diferentes projetos em conjunto, procurando conflitos e resolvendo-os antes que eles apareçam durante a execução da obra.

Alguns exemplos comuns são:

  • viga interferindo em portas, janelas ou pé-direito;

  • tubulação passando por dentro de pilares ou vigas;

  • shaft pequeno demais para receber todas as instalações;

  • ponto hidráulico incompatível com equipamentos ou mobiliário;

  • laje rebaixada sem espaço suficiente para tubulações;

  • instalações elétricas e hidráulicas disputando o mesmo espaço;

  • elementos estruturais interferindo na arquitetura;

  • equipamentos sem espaço adequado para instalação ou manutenção.

A lógica é simples: resolver os problemas no projeto antes de precisar resolvê-los no canteiro de obras.


Onde entra o BIM?


O BIM — Building Information Modeling, ou Modelagem da Informação da Construção — vai muito além de simplesmente criar um modelo em 3D.

Em um processo BIM, diferentes disciplinas são desenvolvidas em modelos digitais que também carregam informações sobre os elementos da edificação. Dessa forma, arquitetura, estrutura e instalações podem ser analisadas de maneira coordenada.

Isso permite, por exemplo, identificar uma tubulação atravessando uma viga antes que qualquer elemento seja executado na obra.

Com o BIM, é possível:

  • visualizar a edificação tridimensionalmente antes da execução;

  • integrar arquitetura, estrutura e instalações;

  • identificar interferências entre disciplinas;

  • analisar shafts, tubulações e espaços técnicos;

  • verificar alturas de vigas, lajes, forros e instalações;

  • reduzir alterações improvisadas durante a obra;

  • facilitar a comunicação entre projetistas, cliente e equipe de execução;

  • manter diferentes documentos e vistas vinculados ao mesmo modelo;

  • melhorar o controle das revisões de projeto.

Um dos recursos mais importantes é a chamada detecção de interferências, também conhecida como clash detection.

Ela permite identificar conflitos entre elementos de diferentes disciplinas, como uma tubulação atravessando uma estrutura, um duto ocupando o espaço de uma viga ou instalações diferentes utilizando a mesma região da edificação.

O BIM, porém, não substitui o conhecimento técnico do profissional. Ele é uma metodologia de desenvolvimento, integração e gerenciamento das informações do projeto. A análise, o dimensionamento e as decisões continuam dependendo dos responsáveis técnicos de cada disciplina.


BIM e compatibilização não são exatamente a mesma coisa


É possível realizar a compatibilização utilizando plantas, cortes e arquivos em 2D.

O BIM, entretanto, torna esse processo mais visual, integrado e eficiente.

Na compatibilização tradicional, o profissional precisa comparar diferentes desenhos, plantas e cortes para localizar possíveis conflitos.

Em um fluxo BIM, as disciplinas podem ser analisadas dentro de um modelo tridimensional coordenado, facilitando a identificação de incompatibilidades que nem sempre ficam evidentes em desenhos separados.

Imagine, por exemplo, que o projeto hidrossanitário prevê uma tubulação exatamente onde existe uma viga estrutural.

Em uma planta isolada, essa interferência pode passar despercebida.

Quando estrutura e instalações são analisadas conjuntamente em um modelo BIM, o conflito se torna muito mais evidente e pode ser resolvido antes da execução.


Por que isso importa mais do que parece


Muitos problemas encontrados durante uma obra não acontecem necessariamente porque alguém executou um serviço de maneira incorreta.

Em alguns casos, o problema já existia nos projetos ou surgiu porque diferentes disciplinas foram desenvolvidas de forma independente, sem a integração necessária.

Um estudo da UnB de 2018, apresentado pelo Sienge, analisou o impacto do retrabalho em um empreendimento e apresentou situações relacionadas à incompatibilidade entre projetos, como uma viga interferindo no teto de um estacionamento e uma parede executada antes da entrada de caixas d'água.

Os valores e condições analisados naquele estudo são específicos daquele empreendimento, mas a conclusão continua relevante:


Quanto mais tarde uma incompatibilidade é descoberta, maior tende a ser o custo para corrigi-la.



Alterar a posição de uma tubulação durante a fase de projeto pode exigir apenas uma revisão do modelo.

Fazer a mesma alteração depois que estrutura, alvenaria, instalações e revestimentos já foram executados pode significar demolição, desperdício de material, mão de obra adicional e atraso no cronograma.


Compatibilização começa antes da obra


Um problema comum ocorre quando cada profissional desenvolve apenas a sua própria disciplina sem analisar adequadamente as demais.

A arquitetura define espaços, circulações e alturas.

O projeto estrutural define vigas, pilares, lajes e fundações.

O projeto hidráulico precisa garantir espaço e caimento adequado para as tubulações.

O projeto elétrico precisa distribuir eletrodutos, quadros e equipamentos.

Outras disciplinas ainda podem acrescentar sistemas de climatização, prevenção contra incêndio, gás, telecomunicações e drenagem.

Individualmente, cada projeto pode estar tecnicamente correto.

O problema aparece quando todos precisam ocupar o mesmo espaço físico.

Por isso, a compatibilização deve acontecer antes da execução da obra.

Quando arquitetura e engenharia são desenvolvidas de forma integrada — especialmente utilizando processos BIM — muitos desses conflitos podem ser identificados e corrigidos ainda durante o desenvolvimento dos projetos.



Checklist para contratar projetos


Antes de contratar os projetos de uma edificação, vale verificar alguns pontos:

  • Peça a relação completa das disciplinas incluídas no escopo.

  • Pergunte se haverá compatibilização entre os projetos.

  • Verifique se os projetos serão desenvolvidos utilizando BIM ou outro processo de coordenação tridimensional.

  • Entenda como serão verificadas as interferências entre arquitetura, estrutura e instalações.

  • Garanta que os levantamentos, sondagens e informações necessárias estejam disponíveis para os projetistas.

  • Combine os formatos de entrega, como PDF, DWG e, quando previsto no escopo, modelos BIM (como IFC).

  • Defina como serão realizadas, registradas e distribuídas as revisões.

  • Reserve uma etapa específica para revisão e compatibilização antes do início da execução.

Existe uma diferença importante entre ter vários projetos e ter vários projetos realmente coordenados entre si.


Projeto integrado significa menos improvisação na obra


Toda obra pode apresentar situações inesperadas.

Nenhum processo de projeto elimina completamente ajustes durante a execução.

Mas existe uma diferença muito grande entre lidar com uma condição específica encontrada no local e descobrir, durante a obra, que dois ou mais projetos simplesmente não eram compatíveis entre si.

Quanto mais decisões são resolvidas durante a fase de projeto, menor tende a ser a quantidade de decisões improvisadas no canteiro.

E, na maioria dos casos, alterar o projeto custa muito menos do que alterar algo que já foi executado.


Como a Allatos pode ajudar


Na Allatos, trabalhamos da concepção à execução da obra, integrando arquitetura e engenharia durante o desenvolvimento dos projetos.

Projetos arquitetônicos, estruturais, elétricos e hidrossanitários podem ser desenvolvidos de maneira coordenada, utilizando processos de compatibilização e modelagem BIM para identificar interferências antes que elas cheguem ao canteiro.

Se você está iniciando um projeto ou já possui estudos e quer entender se eles estão realmente preparados para seguir para a execução, fale conosco.


Fontes do artigo


 
 
 

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